terça-feira, 1 de abril de 2008

O livro e o sentimento.

"[...]Entrei novamente e perguntei à veterinária se poderia ter alguns minutos a sós com ele. Ela me disse que ele estava fortemente sedado.
- Fique o tempo que precisar - ela disse.
Ele estava inconsciente sobre uma maca no chão, tomando soro pela pata. Ajoelhei-me e passei os dedos pelas suas costas. Ergui cada uma de suas orelhas com a mão - aquelas orelhas doidinhas que haviam causado tantos problemas todos aqueles anos e que nos haviam custado o resgate de um rei - e senti seu peso sobre meus dedos. Abri seus lábios e observei seus dentes gastos. Peguei uma das patas dianteiras e a comprimi em minha mão. Então, encostei minha testa na dele e fiquei ali sentado por algum tempo, como se eu pudesse telegrafar uma mensagem através de nossos crânios, da minha mente para a dele. Queria que ele soubesse de algumas coisas.
- Sabe todas aquelas coisas que sempre falamos sobre você? - sussurei. - Que você era um saco? Não acredite nisso. Não acredite nem por um minuto, Marley.
Ele precisava saber disso e algo mais também. Havia algo que eu nunca lhe dissera, que nunca ninguém lhe disse. Queria que ele ouvisse antes de morrer:
- Marley - eu disse -, você é um grande cachorro."

(Marley & Eu, página 282 - 283.)

Toda vez que eu releio esse trecho do livro, arrepios me sobem. É sempre assim, desde que ela se foi.
A vida me ensinou a nunca desistir, nem ganhar, nem perder, mas procurar evoluir.