"[...]Entrei novamente e perguntei à veterinária se poderia ter alguns minutos a sós com ele. Ela me disse que ele estava fortemente sedado.
- Fique o tempo que precisar - ela disse.
Ele estava inconsciente sobre uma maca no chão, tomando soro pela pata. Ajoelhei-me e passei os dedos pelas suas costas. Ergui cada uma de suas orelhas com a mão - aquelas orelhas doidinhas que haviam causado tantos problemas todos aqueles anos e que nos haviam custado o resgate de um rei - e senti seu peso sobre meus dedos. Abri seus lábios e observei seus dentes gastos. Peguei uma das patas dianteiras e a comprimi em minha mão. Então, encostei minha testa na dele e fiquei ali sentado por algum tempo, como se eu pudesse telegrafar uma mensagem através de nossos crânios, da minha mente para a dele. Queria que ele soubesse de algumas coisas.
- Sabe todas aquelas coisas que sempre falamos sobre você? - sussurei. - Que você era um saco? Não acredite nisso. Não acredite nem por um minuto, Marley.
Ele precisava saber disso e algo mais também. Havia algo que eu nunca lhe dissera, que nunca ninguém lhe disse. Queria que ele ouvisse antes de morrer:
- Marley - eu disse -, você é um grande cachorro."
(Marley & Eu, página 282 - 283.)
Toda vez que eu releio esse trecho do livro, arrepios me sobem. É sempre assim, desde que ela se foi.
terça-feira, 1 de abril de 2008
sexta-feira, 14 de março de 2008
1 minuto de silêncio
Já foram 2 longos meses sem te ter por aqui. Quem diria, que justamente aquela minha bola de pêlos, tanta falta faria? Sinto saudades tuas. Não ouço mais o som de tuas patinhas andando calmamente pela casa, nem mesmo o som de tuas unhas arranhando minha porta. Sinto falta daquele teu olhar carente, de teu jeito de me puxar a mão com a delicadeza de tuas patas, implorando por um carinho. Tantos anos, tantas histórias. Prometeu não me deixar. Por que partiu? Não íamos viver juntas, em uma casa de longos metros quadrados, com um quinta
l grande e bonito o suficiente para que pudesses rolar comigo pela grama? Eras o que todo cão era para seu dono. Eras mais do que uma companheira, eras minha melhor amiga. Queria ter me despedido, poderias ter me esperado. Quem sabe assim, ainda estarias ao meu lado.
sábado, 8 de março de 2008
Confusão em palavras
Começaram os dias de confusão. Aqueles dias em que não sei quem merece, quem desmerece. Quem deve, quem não deve. Isso é chato. Talvez eu esteja assim pelas surpresas que a vida têm me dado. E que surpresas! Algumas são decepcionantes e outras, fascinantes. Incrível, a decepção traz tanta dor. Só queria saber porquê. Às vezes não faz sentido. Quando eu acho que finalmente estou certa sobre alguém, a pessoa vai e faz coisas que me deixam confusa, que fazem com que eu continue achando o mesmo que eu achava antes. Enfim, eu preciso desabafar. Com quem, eu não sei. Já me passaram muitos nomes pela cabeça, mas o que impressiona é que só um fica firme no pensamento. Que bobagem, por que isso? Eu sei que tenho muita gente que gosta de mim e que vai me ajudar. Mas, esse nome... Que merda é essa, afinal? Sai, sai do meu pensamento, sai que não é em ti que eu quero pensar. OU QUERO? Meu Deus! Que confusão! Por que penso assim?! Não dá pra me suportar assim. Preciso conversar. Preciso abrir meu coração com alguém confiável. Preciso compartilhar aquela história secreta. Aliás, que história é essa que não tem fim? Incrível como as coisas são. Eu me impressiono mais a cada dia. Só soube reclamar até agora, não é? Preciso sair. Me libertar, sem limites, me divertir, me sentir leve, solta, feliz. Não soa como uma má idéia.
Incrível como eu preciso rever meus conceitos.
Incrível como eu preciso rever meus conceitos.
sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008
As duas faces de uma pessoa.
Há dias em que nada faz sentido, sabe? É meio difícil de entender, mas é assim que eu me sinto. Daí eu começo assim:
- Parece que... A melhor amiga tá diferente, o melhor amigo não quer falar com a gente, parece que tudo muda, parece que tudo fica inexplicavelmente insuportável.
- Principalmente eu. A personagem principal dessa vida é a mais insuportável da história! Eu reclamo. E reclamo. E só sei reclamar.
- Ah, mas eu tenho motivos, é óbvio.
- Mas, sabe, isso me incomoda. Dá aquela raiva.
- Eu sei que... Muita coisa aconteceu, muita gente mexeu com a minha cabeça, com as coisas que passavam pela minha mente. Eu acabei deixando de ser dona dos meus pensamentos. Quem controlava eram meus amigos.
- Mas, pelo amor de Deus, que história é essa de outras pessoas cuidarem do que tu pensa?
- Ah, sabe. Aquela coisa. A gente fica vulnerável. Aí, eu viro pro lado e penso, certamente, que devo ter minha opinião fixa, mas... Eu tenho uma opinião fixa?
- Deve ter.
- É, devo ter.
- Não, isso é uma obrigação. Tu TEM que ter.
- Ah, claro. Foi o que eu disse.
- Sei. Mas, mesmo que não tivesse, uma hora com certeza ia ter.
- Lógico.
- Então. Qual o problema?
- O problema é me deixar levar. Não quero ser assim. Eu não sou assim. Por que isso acontece? Esse jeito de lidar com as coisas, tudo diferente do que um dia já foi...
- Tudo muda.
- Eu não disse que não mudava.
- Nem eu. Só disse que tudo muda.
E por aí vai. Não faz sentido também. Que sentido tem eu estar escrevendo isso aqui? Ninguém lê.
- Mas eu me sinto bem.
- Parece que... A melhor amiga tá diferente, o melhor amigo não quer falar com a gente, parece que tudo muda, parece que tudo fica inexplicavelmente insuportável.
- Principalmente eu. A personagem principal dessa vida é a mais insuportável da história! Eu reclamo. E reclamo. E só sei reclamar.
- Ah, mas eu tenho motivos, é óbvio.
- Mas, sabe, isso me incomoda. Dá aquela raiva.
- Eu sei que... Muita coisa aconteceu, muita gente mexeu com a minha cabeça, com as coisas que passavam pela minha mente. Eu acabei deixando de ser dona dos meus pensamentos. Quem controlava eram meus amigos.
- Mas, pelo amor de Deus, que história é essa de outras pessoas cuidarem do que tu pensa?
- Ah, sabe. Aquela coisa. A gente fica vulnerável. Aí, eu viro pro lado e penso, certamente, que devo ter minha opinião fixa, mas... Eu tenho uma opinião fixa?
- Deve ter.
- É, devo ter.
- Não, isso é uma obrigação. Tu TEM que ter.
- Ah, claro. Foi o que eu disse.
- Sei. Mas, mesmo que não tivesse, uma hora com certeza ia ter.
- Lógico.
- Então. Qual o problema?
- O problema é me deixar levar. Não quero ser assim. Eu não sou assim. Por que isso acontece? Esse jeito de lidar com as coisas, tudo diferente do que um dia já foi...
- Tudo muda.
- Eu não disse que não mudava.
- Nem eu. Só disse que tudo muda.
E por aí vai. Não faz sentido também. Que sentido tem eu estar escrevendo isso aqui? Ninguém lê.
- Mas eu me sinto bem.
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008
Aishiteru zutto, Kira.
Hoje, faz 1 mês que a Kira morreu.
Acho que nunca me senti assim na vida por causa de um animalzinho. Por alguém, é óbvio que já. Mas, todas as vezes que eu parei para pensar no dia em que a Kira não estaria comigo, aquilo não mexia comigo - e, se mexia, eu não percebia. Hoje, depois de ter estado 11 anos do meu lado, sinceramente, eu me arrependo de não ter feito tantas coisas com ela. Claro, eu fiz, e muitas! Algumas até foram impecáveis, outras, incomparáveis. Houveram os momentos em que eu corri na rua com ela, dizendo pra ela acelerar e que a linguinha dela já tava no chão. As noites em que ela me empurrava pra beira da cama, que ela roncava e eu não conseguia dormir... Sabe, aquelas patinhas caminhando aqui pela casa, os latidos dela... Eu sinto falta de um latido. A Lisa não late quando a gente chega em casa. A Kira latia. Latia quando a gente saía, quando a gente chegava, quando ela achava algo estranho. A Kira se esforçava pra latir nos últimos dias de vida dela. Mas ela latia. E além dos latidos, eu sinto falta da comida esparramada pelo chão, aquele potinho amarelo virado e ela me olhando com a cara mais inocente do mundo, como quem diria "eu não fiz nada, viu?". Falar sobre ela ainda mexe comigo. As pessoas chegam pra mim e perguntam: "E a Kira, como que ela tá?". É horrível. Queria que estivesse escrito na minha testa. Dizer o que aconteceu, explicar que ela ficou internada e que amanheceu morta... Lembrar de tudo isso me faz tão mal. Mas, eu tenho pesadelos com isso. Eu sonho com ela. Eu não esqueço ela. Não consigo. Às vezes até ouço alguma coisa pela casa que posso jurar de que não é a Lisa. Mas era o vento. O som das árvores. Tudo, menos a Kira.
Hoje, faz 1 mês que a Kira morreu.
Hoje, faz 1 mês que a Kira morreu.
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
Minhas palavras sobre a vida.
Já decepcionei quem não podia, mudei a opinião de quem não queria. Senti ciúmes na hora errada, me senti insegura quando não devia. Perdi pessoas que jamais poderiam ser substituídas, muito menos esquecidas. Tentei mudar as coisas quando já era tarde demais. Já sorri sem motivo, chorei de rir, quis ser feliz quando não estava. Já falei sem pensar, até gritei sem parar. Tentei esquecer momentos inesquecíveis, tentei fazer deles apenas vestígios. Já quis mudar a verdade, aquela que era pura. Menti quando não podia, ou até sem querer, falei a verdade quando não devia. Escondi sentimentos verdadeiros e até inventei alguns. Já amei quem não deveria, fui amadada por quem não quis. Me apaixonei sem querer, sem saber se era verdadeiro. Tentei mudar a palavra 'amor' apenas para tentar ser feliz - mas descobri que sem ela, tudo é diferente. Me arrependi, me orgulhei do que era errado.
Já sofri e fiz alguém sofrer - e muitas vezes por prazer. Chorei por quem não merecia, chorei ouvindo música, trancada no meu quarto; chorei em público e não tive vergonha. Chorei vendo uma amiga partir, chorei de felicidade. Já perdoei quem não merecia ser perdoado, julguei a pessoa errada, me fiz de vítima quando fui culpada. Já quis morrer para saber quem choraria, já duvidei, fiz perguntas sem respostas. Errar eu sempre errei, mas nunca acreditei estar errada. Culpei os outros por errar, demorei para admitir que estava errada. Já tive que aprender errando, já senti falta de apenas uma pessoa enquanto havia milhares em minha volta. Me senti perdida em meus próprios pensamentos, me afoguei em lágrimas.
Já esqueci de quem não podia, falei o contrário do que sentia. Já tive medo de dizer a verdade. Medo eu também senti, do escuro, de perder, de amar, de mentir, de sentir... Transformei amor em ódio e me arrependi. Acreditei no inacreditável, quis tornar possível o impossível. Gritei por me sentir alegre, por sentir dor, por ódio. Me fiz de desentendida quando entendia as coisas, mas certas coisas não entendo até hoje. Já me achei a melhor, quando não era, já achei que estava perto de ter um ataque de nervos. Adiei uma felicidade, falei comigo mesma, ri sozinha. Já tive vontade de dizer o que sentia, mas me senti insegura. Fui atrás de quem não devia, perdoei erros sem pensar, beijei quem não devia, apressei muito minha vida...
...Porém, hoje eu tenho a vida que eu sempre quis.
Já sofri e fiz alguém sofrer - e muitas vezes por prazer. Chorei por quem não merecia, chorei ouvindo música, trancada no meu quarto; chorei em público e não tive vergonha. Chorei vendo uma amiga partir, chorei de felicidade. Já perdoei quem não merecia ser perdoado, julguei a pessoa errada, me fiz de vítima quando fui culpada. Já quis morrer para saber quem choraria, já duvidei, fiz perguntas sem respostas. Errar eu sempre errei, mas nunca acreditei estar errada. Culpei os outros por errar, demorei para admitir que estava errada. Já tive que aprender errando, já senti falta de apenas uma pessoa enquanto havia milhares em minha volta. Me senti perdida em meus próprios pensamentos, me afoguei em lágrimas.
Já esqueci de quem não podia, falei o contrário do que sentia. Já tive medo de dizer a verdade. Medo eu também senti, do escuro, de perder, de amar, de mentir, de sentir... Transformei amor em ódio e me arrependi. Acreditei no inacreditável, quis tornar possível o impossível. Gritei por me sentir alegre, por sentir dor, por ódio. Me fiz de desentendida quando entendia as coisas, mas certas coisas não entendo até hoje. Já me achei a melhor, quando não era, já achei que estava perto de ter um ataque de nervos. Adiei uma felicidade, falei comigo mesma, ri sozinha. Já tive vontade de dizer o que sentia, mas me senti insegura. Fui atrás de quem não devia, perdoei erros sem pensar, beijei quem não devia, apressei muito minha vida...
...Porém, hoje eu tenho a vida que eu sempre quis.
Assinar:
Comentários (Atom)
A vida me ensinou a nunca desistir, nem ganhar, nem perder, mas procurar evoluir.